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Nota de Abertura Maria Vilma Matos Peixoto
Ao começar esta nova iniciativa do Cá Estamos Nós, como Editora, quero
agradecer a todos que colaboram neste número, com o meu muito obrigado. Estamos aberto a
todas iniciativas culturais, privilegiando como é óbvio a literatura, seu escritores /
poetas. Peço-vos que considerem este espaço de grande divulgação Cá Estamos
Nós, como sendo de nós todos, portanto, deverá ser feito por todos nós. Aqui,
ninguém é melhor do que ninguém, mas simplesmente diferente na sua maneira de pensar,
criar e escrever. Vamos respeitar todos para podermos ser também respeitados. Não me vou
alongar em mais considerações, pois o nosso grande juiz serão os nossos leitores, aos
quais desde já peço, além dos vossos trabalhos, também as vossas críticas e
sugestões. Abraço Vilma Matos .

J O A N A - Carlos Leite Ribeiro
Naquela cama de um hospital, agonizava uma adolescente.
Quem a tivesse conhecido, com certeza que
naquela altura não a teria reconhecido : cabelos rapados, tubos no nariz e na boca ...
era um farrapo humano, aquela que ainda há pouco tempo era uma linda menina.
Tudo começou quando os pais se
divorciaram. A mãe, começou então a conhecer amigos e amantes.
A Joana, que na altura era estudante,
começou a ter da parte da mãe uma liberdade que até aí nunca tivera.
O pai talvez não fosse grande coisa, mas
impunha ordem e respeito.
À mãe da Joana, convinha esta liberdade
que dava à filha, pois assim, podia andar na vida amorosa que, secretamente, sempre
desejou.
A Joana começou a andar com
"amigos"; começou a ir a muitos "trabalhos em grupo"; começou a
drogar-se; começou a ter sexo ...
E a doença do século, a Sida, tomou
conta do seu belo e promissor corpo e do seu belíssimo rosto.
Quem a viu e quem a vê: cabelo rapado,
tubos na nariz e tubos na boca ...
Pensou na mãe. Talvez quando soubesse da
sua morte, filosoficamente pensasse: "A minha filhinha não teve sorte nesta
vida". E, com o seu grande poder de auto-desculpa, continuasse a pensar: "Se ela
fosse como eu, ainda hoje estaria viva - a culpa foi dela !".
A morte aproximava-se de Joana.
Revoltou-se.
Tinha vivido demasiadamente depressa a
vida, mas nunca soube o que era o seu lado bom. Agora estava prestes a extinguir-se. Não,
Joana não queria morrer, queria ser feliz. Desejava Ter filhos para um dia poder
transmitir-lhes a sua dolorosa experiência. Desejava Ter filhos para os poder educar,
para mais tarde eles poderem ser os "espelhos" da sua própria vida.
Entretanto, Joana morreu ... ...
Quase milagrosamente, após a sua morte,
as belas feições de Joana apareceram novamente.
Parecia que sorria.
E talvez sorrisse ...
Talvez o Senhor Bom Deus, na sua infinita
bondade lhe tivesse segredado que contava com ela, no Dia do Juízo Final ... ... ...
Carlos Leite Ribeiro -
Marinha Grande - Portugal

A ARTE DA PALAVRA- Vilma Matos
A palavra expressa o pensamento
cria situações de toda a sorte
podendo agradar ou desagradar
conduzindo ao amor ou a morte.
A palavra traduz a força
que torna o homem forte
e muitos a empregam
até na hora da morte.
A palavra iinstrui, constrói
quando bem utilizada
e quando mal! Destrói, distorce
verdade não contada.


A Entrevista do
Trimestre: Francinete de Azevedo Ferreira
Estamos aqui na Academia Feminina de Letras do Ceará - AFELCE, para
entrevistar e assim conhecermos melhor uma das nossas mais recentes colaboradora do
CEN, trata-se da grande e admirável escritora Francinete Azevedo , ou como
já se tornou carinhosamente conhecida por "Tia Nete", isso pela sua
dedicação para com o publico infantil.
Querida Francinete, nossos autores e leitores do Editorial "Fortaleza em
Notícias" gostariam de saber um pouco mais sobre você? Vilma, saiba que é um
enorme prazer colaborar com esse número e participar dessa excelente
iniciativa do portal "Cá Estamos Nós" . Como é do seu conhecimento e
dos demais... que passei a integrar ao CEN a menos de um mês, mesmo assim, já
deu para sentir firmeza, dedicação... não só do diretor, como também
de todos que fazem essa grande família, desde já quero me colocar a inteira
disposição de todos. Claro que tudo dentro das minhas possibilidades. Agora vamos
deixar as considerações para atender ao seu pedido e falar um pouco de mim, o que
faço e o que ainda pretendo fazer. Bom, moro em Fortaleza/ Ceará/
Brasil, "Terra da Luz" - "Terra do Sol" - segundo o escritor
cearense Paula Ney - " A loura Desposada do Sol" - sendo o Ceará o
primeiro estado a libertar seus escravos. rua Libania, 242, Bairro Serrinha,
nasci em 27 de janeiro de 1948, portanto tenho 54 anos de idade, sou graduada em letras
pela Universidade Federal Do Ceará, professora aposentada e atualmente
tenho como robe escrever, escrever e escrever, portanto, adoro passar meu tempo
idealizando, criando imagens para alegrar, embelezar a vida de crianças e
adultos e com muito carinho, procuro desenvolver meus trabalhos
enfatizando realidades e fantasias, isso de forma a agradar crianças e adultos.
Muito bem. Pode nos falar um pouco sobre suas obras literárias? Vilma, como você sabe,
tenho 02 livros publicados, sendo o 1º Ciranda de Emoções em 1996 (feito em
parceria com o escritor cearense Ezequiel Pinto de Souza, 0 2º Histórias da
Tia Nete (histórias infantis)volumes I e II em 2001 e várias participações em
antologias e coletâneas. Seus autores preferidos? Rachel de Queiroz, Cecília
Meireles, Clarice Lispector, José de Alencar e Machado de Assis. Obras: O Quinze,
Helena, Olhai os Lírios dos Campos. Quais são suas músicas e autores
preferidos? Gosto de Emoções - Roberto Carlos, Mulher - Erasmo Carlos,
Moolight Serenade, OnlY You Richard Clayduman. Francinete, o filme comercial que mais
gostou? O Titanic. E sua melhor qualidade? Ser solidaria e amiga. Seu maior defeito?
Ser pessimista. Seus passatempos preferidos? Apesar de não dispor de muito tempo, gosto
de ir ao cinema, ler um bom livro e palavras cruzadas.
E quando criança? Adorava ler e
ouvir histórias infantis. Atualmente como você se auto-define? Vilma me considero
uma pessoa justa, solidária, romântica, sonhadora e
divertida. Francinete, essa é a pergunta que mais gosto de fazer. Nós do
"Fortaleza em Notícias" gostaríamos de saber como vai de amores? Bem,
graças a Deus. Vivo cultuando o passado, onde fui protagonista de uma grande história de
amor. Uma característica que aprecia nos outros? A bondade. Poderia nos dizer qual
foi o maior desafio que aceitou até hoje? Foi ser escritora, veja que não foi nada
fácil, tive que enfrentar muitos obstáculos para chegar onde cheguei, mas valeu, pois
onde chego sou respeitada e reconhecida, como sabemos, tudo na vida tem um preço. Creio
que eu paguei o meu.
Que tipo de vida
daria sua vida?Romântico. O arrependimento mata? Não! Angustia.De que mais se orgulha?
De ser professora.Qual o personagem que mais admira? Irmã Dulce. Uma imagem do passado
que não quer esquecer no futuro? Meu esposo. Isso é que eu chamo de amor, você continua
amando seu esposo e por sinal de uma forma linda. Parabéns querida. A cultura será uma
botija de oxigênio? Sim, com certeza necessitamos da cultura como quem precisa do
oxigênio, pois impulsiona o progresso, o desenvolvimento. Qual é o cúmulo da
beleza? Para mim,considero que seja a simpatia. E da fealdade? A arrogância e a
antipatia. Que vício gostaria de não ter? Sinceramente, eu não gostaria de ser
perfeccionista, isso as vezes incomoda a mim e aos outros. Prato predileto? Carne.
Bebida preferida? água e refrigerante. As piadas às louras são injustas? Sim, a
cor da pele ou dos cabelos não revelam o caracter ou intelectualidade de uma pessoa.
Seu dia começa bem se... acordo com o canto dos pássaros. Que influência tem em você a
queda da folha e a chegada do frio? O surgimento das decepções e o frio o desencanto dos
sonhos. Que livro anda a ler? Estou lendo um belíssimo livro de autoria de professor
Batista de Lima "Janeiro é um mês que não sossega". E se de repente lhe
oferecerem flores... isso é maravilhoso, uma prova de amor, de carinho. O que significa
para você o termo esoterismo? Como ainda não parei para analisar e me aprofundar no
assunto, considero-o misterioso. Acredita na reencarnação? sim. Acredita em
fantasmas ou em "almas do outro mundo"? Em algumas vezes sim, pois acredito que
espíritos perturbados podem em alguns casos serem confundidos com fantasmas. Para você o
imaginário será um sonho da realidade?sim. Você ccredita em histórias
fantásticas? Sim e porque não? Sou poeta. Deus existe? Sem sombra de dúvidas.
Claro que existe.

UM CASO DE AMOR - Francinete
Azevedo
Quem não gostaria de
Vivenciar um amor sincero,
Alucinante?
Uma paixão avassaladora,
Uma relação comprometida
Apenas, com a Felicidade!
Os melhores momentos
Da vida a dois,
Devem ser coroados,
De ternura e de
Alegrias infindas,
Para que se tornem
Recordações inesquecíveis.
O amor dá colorido à Vida!

MARIA E O GALO Vilma Matos
Maria durante alguns anos, coincidentemente, despertava sempre às 6:00 horas e
procurava escutar o alvoroço das galinhas e o cocorocó do galo.
Quando estava com insônia, até que apreciava aquela conversa de galinha, mas nos finais
de semana era o verdadeiro terror, pois queria dormir um pouco mais...
Hoje, estranhamente, Maria não
conseguiu acordar na mesma hora de sempre e dormiu até às 8:00 horas.
O que aconteceu?
Por que não acordei?
Ficou muito aborrecida com o
incidente, pois estava atrasada e isso, jamais havia acontecido desde que passou a
dar aulas na fazenda vizinha.
Procurou não se deter e para não perder
mais tempo, levantou-se e rapidamente foi ao armazém comprar ração
para os animais, como também o milho para as galinhas, e durante o pequeno percurso
pensou: como o milho está caro! Ainda bem que matei aquele galo velho, só servia
mesmo para comer, beliscar as galinhas e fazer barulho durante madrugada.
Após colocar sua casa em ordem, a
professorinha saiu andando a passos largos ruma a fazenda vizinha, pois com
certeza o Sr. Henrique já deve estar preocupado e os alunos bem agitados, tudo por
ser esta a primeira vez que estaria chegando atrasada.
Quando retornou a sua casa, já passavam
das 12:00 horas, tomou um banho rápido e em seguida foi até a cozinha verificar o que
tinha para o almoço, abriu o freez e percebeu que somente existia ali a carne do galo
que havia matado no dia anterior, considerava-o velho e inútil, não tinha
mais nenhuma serventia. De repente Maria toma um susto e começa a falar sozinha e em voz
alta
- Meu Deus! Quanta
injustiça! Não era inútil como eu pensava! Mais por que não acordei
antes? Era ele quem me acordava com seu insistente cocorocó. E agora o que
vou fazer? Como pude ser tão cega? ..

FLortaLoleza Século XX I: 
Nome completo:
Mário Gomes
É sempre um grande prazer estarmos aqui na Praça do Ferreira, bem em frente ao
cine São Luís e encontrar este grande poeta cearense, o bem conhecido e
irreverente MÁRIO GOMES , Nós que fazemos o "Cá Estamos Nós",
gostaríamos de ouvir do próprio, se o que dizem a seu respeito é realmente verdade.
Mário, pode nos falar um pouco sobre você? Simpaticamente o nosso entrevistado
respondeu: - Olha querida Vilma Matos, querida poetisa, sou realmente um poeta maluco e
irreverente, e isso é de minha própria índole, não consigo criar um poema que não
seja explicitando essas características. Nasci em Fortaleza na Rua Sousa Carvalho,
357 Bairro Bom Sucesso, nasci no dia 23 de julho de 1947, portanto tenho 55 anos de idade,
descobri-me poeta aos 18 anos, faz 37 anos que escrevo poesia. Já publiquei
08 livros tenho uma biografia editada por Márcio Catundo em minha homenagem , e agora
será editado mais uma obra em que também serei homenageado, sendo que dessa
vez, deverá ser narrado minha longa história de vida e de loucuras tendo como
título "Vida e Obra de Mário Gomes" pelo poeta Vicente Freitas de Bela Cruz.
Também já viajei muito pelo Brasil a fora, perfazendo um total de 17 viagens, fui 10
vezes a Salvador, quando me dava a loucura, eu me largava daqui para o Rio de Janeiro,
isso quando era mais jovem, nos meus 25 a 30 anos, ia a pé daqui para o Rio
de Janeiro, passava de 15 a 20 dias andando pelas estradas desse mundo de meu
Deus, cheguei a pegar umas 70 caronas até chegar ao meu destino, quanto a
alimentação saia pedindo nas casas de camponeses, restaurantes, chegando ao Rio de
Janeiro perdi meus documentos, fui preso... depois de dois há três meses retornava para
casa, meus familiares me achavam magrinho e totalmente doido, isso de
tanta farra e birita. terminava por ser internado em clinicas ou em hospitais
psiquiátricos. Entendeu? Mário, dizem que todos os poetas são loucos. Você concorda
com isso? Eu concordo. Sabe porque Vilma, é que para mim, o poeta é uma
espécie de para-normal, no meu entendimento um poeta não tem como ser normal, escreve e
pensa coisas que em muitas vezes, ele mesmo tem dúvidas se é ou não é sua criação,
(ele nunca é normal), veja, as pessoas consideradas normais não conseguem compreender a
sua própria existência, há pessoas que me fazem perguntas totalmente absurdas, então
penso: jamais um poeta faria uma pergunta dessa natureza, pois mesmo aquele que é
analfabeto, consegue encontrar na sensibilidade os conhecimentos de que precisa para criar
seus trabalhos literários, solta a imaginação e sai descrevendo imagens e situações,
jamais imaginadas por alguém que seja poeta (louco). Quase sempre ele atribui suas
criações a divindade. Como poetisa você bem sabe, que as inspirações devem vir de
uma fonte suprema, portanto necessitamos ter sensibilidade para captar essa
mensagem. Sua ocupação profissional? Vagabundo e Malandra, trabalhei apenas um ano
de carteira assinada. Mário, isso chega a ser incrível, pois não consigo me
imaginar fora do meu trabalho. Poderia citar para nós os nomes de suas obras. Vilma
atualmente tenho 08 obras literárias. 1º Lamesse de um Ego 1981, 2º Emoção
poética 1983, 3º Resquícios de uma Paisagem da Vida em 1988, 4º Devaneios de
Lamentações em 1991, 5º Aprendizes da Morte em parceria com Márcio Catunda e Cristiane
Marinho, Além do infinito em 1998, e Tam de Poesia em 1997, teve também uma
Antologia Poética onde foi feito uma coletânea de todas as minhas obras. E agora
estou com um 9ºLivro que é um prelo, chamado Ação Gigantesco- vida e obra de Mário
Gomes. Mário, tem mais algum projeto, além desse último que ainda será editado?
Sim, tenho. Gostaria de falar um pouco desse projeto? Sim. Recebi recentemente uma
proposta da Diretora da Ação Cultural do Dragão do Mar a Sra. Elizer Guinter para fazer
um documentário cinematográfico sobre a minha vida. Muito bem. Parabéns! Autores
preferidos? Gosto muito dos autores brasileiros como Olavo Bilac, Castro Alves,
Vinícius de Moraes, Manoel Bandeira, Carlos Drumond de Andrade e outros. Seus cantores
preferidos? Gilberto Gil, Caetano Veloso, Maria Bethania, Roberto Carlos, Gal Costa, Tom
Gilberto. Um filma comercial? Ghost do Outro Lado da Vida. Sua melhor qualidade? Não
gostar de mentir, prefiro arriscar minha própria vida em nome da verdade. Seu Maior
defeito? É de não ser rico materialmente. Você acredita que se fosse rico materialmente
seria tão livre o quanto é hoje? A falta de dinheiro muitas vezes nos causa
angustia, isso por não termos condições de realizarmos nosso profetas e desejos. Muito
embora de certa forma os bens espirituais sejam superiores aos materiais. Mário,
apesar de ser do meu conhecimento, nós do Portal "Cá Estamos Nós" e
nossos queridos leitores, gostaríamos que você mesmo nos dissemos qual é o seu
principal passatempo, isso, somente para confirmar o que dizem por aí, como também
termos o prazer de lhe ouvir. Querida Vilma, adoro quando chega a tardinha para me
sentar aqui nesse banco da Praça do Ferreira, para receber meus amigos e amigas da
poesia, para mim, não existe nada mais agradável nesse mundo.
E quando Criança? Bom, eu tive uma
infância legal, brinquei muito, todos os tipos de brincadeiras como por exemplo: bola de
gude, soltar pipas, tomar banho de lagoa, brincar com os amigos, foi uma infância
legal. Como se auto-define? Eu me auto-defino como uma pessoa alheia, não gosto de
trabalhar para não me sentir preso, amarrado, comprometido, portanto, sou totalmente
liberto e não me casei porque queria curtir essa liberdade, também não sou nenhum
pilantra! Como vai de amores Mário? Ah! Minha querida Vilma, não estou nada bem, sofri
muitas decepções que me angustiaram, torturaram, por isso, prefiro ficar só, já estou
um pouco coroa e um velho apaixonado é a pior coisa que tem. Gostaríamos que nos falasse
um pouco sobre a cultura em Fortaleza dentro de um período de 30 a 50 anos. Há 30 anos
atrás eu estava com 20 anos de idade e posso lhe assegurar que a cultura em Fortaleza era
superior a cultura atual, porque a super- população atrapalha a cultura, pois cria
a pobreza, a miséria e o desemprego... então essas pessoas não buscam a cultura
preferem as farras as drogas, a cachaça e não procuram se intelectualizar cultivar
as coisas boas da vida, apesar de que hoje as coisas estão bem mais fáceis , pois
naquela´época eu não tinha condições de comprar um caderno e muito menos um livro
para o colégio e hoje o livro que eu quero ler, posso comprar,
sem sombra de duvidas que, para quem tem sede de aprender está bem mais fácil
culturizar-se. Mesmo assim, naquela época, com todas as dificuldades as pessoas
estavam mais voltadas para a cultura. As pessoas valorizavam bem mais... o mundo cultural.
Agora, gostaríamos de saber com foi a questão editar seu primeiro livro?
Olha eu tive muita sorte em publicar o meu primeiro livro aos 34 anos de idade em 1981,
digo sorte porque passei 15 anos tentando publicar e as condições não me permitiam,
então participei de um concurso na Casa de Cultura Juvenal Galeno( Academia Municipalista
de Letras, fiquei no 1º lugar, ganhei 10.000 cruzeiros, o Carneiro Portela e outros me
ajudaram a para que se tornasse possível esse sonho. Meus parabéns Mário pela grande
vitória. Qual a caraterística que mais aprecia nos outros? Pessoa polida e elegante.
Qual foi seu maior desafio? O nosso entrevistado não perde tempo e responde de pronto:
viver sem trabalhar. Realmente esse é um grande desafio, mesmo me considerando uma mulher
ousada, jamais ousaria enfrentar um como esse. Diga-me Mário, você nunca trabalhou
de carteira assinada? Ele com um sorriso maroto respondeu: trabalhei durante um ano, mas
isso em São Paulo e foi exatamente por isso que aos 29 anos me aposentaram como louco,
insanidade mental, doido mesmo. O gênero de filme que daria sua vida? A minha própria
vida dá um filme legal com todas as loucuras imaginadas e as não imaginadas. Na sua
opinião o arrependimento mata? Na minha opinião ele mata, apesar de não ser muito
fácil, mas na minha opinião leva lentamente o indivíduo a morte. De que mais se
orgulha na sua vida? Ele respondeu-me com a voz firme e grave e com a certeza de quem
realmente sabe o que diz. De ser poeta. O personagem que mais admira? Gesse
Valadão, isso põe ele ser irreverente, exatamente como nosso querido entrevistado.
Uma imagem do passado que não quer esquecer no futuro? Da surra que levei em Salvador,
tudo por ter sido confundido com um tarado, a minha sorte foi que as vítimas me
inocentaram, si não... jamais quero esquecer esse episódio, foi terrível...
Na sua opinião a cultura será uma
botija de oxigênio? Concordo que necessitamos da cultura para respirarmos . Qual o
cúmulo da beleza? É um homem ser bonito. E o da fealdade? Alguém tirar a vida de outro.
Que vício gostaria de não
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ter? De fumar. Prato preferido? Macarronada. Bebida
preferida? Vinho francês bem gelado. As piadas das louras são injustas? Claro que são,
não existe essa de loura burra, isso chega até mesmo a ser um maldade. O dia para mim,
sempre começa bem, principalmente na hora do café da manhã, adoro aquele pão bem
quentinho com manteiga. Que influência tem em você a queda da folha e a chegada do frio?
Acho interessante e mexe comigo porque quando estou sentado aqui na praça e cai uma
folhinha em mim, penso que foi um beijo que a natureza me deu. Que livro anda a ler ?
Estou lendo "Saga" de Érico Veríssimo. Se de´repente alguém lhe
oferecer flores, isto significa uma prova de carinho. O que significa para você o termo
Esoterismo? Quem bem poderia falar sobre isso era Paulo Coelho, mas no meu entendimento
esoterismo é uma ciência profunda e todas as pessoas deveriam buscar informações sobre
o assunto. Acredita na reencarnação e em e em fantasmas "almas do outro
mundo", entendo como sendo um outro tipo de vida totalmente diferente da
terrena, pois somente será possível conhecer após a morte. Quanto ao imaginário ele
concorda que seja o sonho da realidade. Considera as histórias fantásticas
interessantes. Para Mário Gomes Deus é um espírito, o número um de toda a galáxia,
como também um força muito grande perante a humanidade a vida, é enigmático, onde as
religiões os astronautas quando viajam pelos espaços, retornam dizendo terem visto
Deus, ficam perplexo. Vilma é muito complexo, não dá para entender, veja,
eu não tenho Deus como pregam por aí, como alguém castiga... se ele realmente existir,
já que não foi comprovado, ele nos deixa a vontade para seguirmos o caminho que
desejarmos, se assim não fosse, não aconteceriam tantos acidentes, desgraças no mundo.
Pode juntar um pequeno trabalho? Claro querida amiga. Vou ralar um grande momento em
que eu conversava com meu espírito:

GRITO DO ESPÍRITO - Mário Gomes
Sou imortal
eterno, invulnerável
sou mais importante e superior ao ouro
sou mais forte do que o aço, o ferro
não tenho idade
sou irmão gêmeo de Deus
sou dele inferior
embora seja sua semelhança
vivo encarcerado nessa carcaça de carne
e osso
por nome Mário gomes
um dia me libertaria dando descanso esse
pobre coitado que sempre me soube agüentar
um dia irei embora para o espaço, no
infinito, no bailar com os todos, irmãos encantados
Mário Gomes me desculpe, mais as vezes
você me enraivece
com sua sede, com sua embriaguez, com sua
fome,
cuidado um dia irei embora e nunca mais
me terás seu otário
Gostaria de deixar uma saudação aos nossos leitores e ao Portal "Cá Estamos
Nós"? Sim. Porque vocês estão fazendo um trabalho magnifico e merecem todo o
carinho e respeito que com certeza devem ter, pois essa é uma iniciativa que
poderia ser imitada por outras pessoas e até mesmo por outros países,isso por
ser um trabalho inovador, diferente. Continuem e muito sucesso a todos.

PAIXÃO DO POETA - Vilma Matos
Sentimento é sintonia
Sentimento é sintonia
Que aguça e envolve
Despertando alegria
E leva o poeta
A escrever poesia
Carinhosamente,
As palavras são selecionadas
E ao serem organizadas
Formam-se os versos, o poema, a poesia.
Expressam tristeza ou alegria
A poesia estava na mente
Onde harmoniosamente foi armazenada
Para então surgir com melodia
E impulsionar o poeta
A declamar com alegria
Sem se dar conta
O poeta crê enamorado
Não só pelo sexo oposto
Mas pela inspiração
Que lhe foi confiado
Fortaleza, 12/06/02

Novos Escritores: 
Nome completo -
Leonardo Pinho Aguiar
Temos a honra de apresentar aos nossos
amigos (colaboradores do CEN) o talentoso Leo Barba é um lindo e valioso ensaio de
um escritor ainda desconhecido que acaba de entrar para a nossa grande família ,
mas que aguardamos no futuro muitos êxitos. Fixem este nome "Leo Barba" a quem
endereçamos os nossos parabéns pelo seu excelente desempenho na Ofícina de Conto
e Poesia, que teve como curadores Diogo Fontenelle e a nossa querida e grande
colaboradora do CEN, Nilze Costa e Silva. Vejam meus queridos amigos, esse jovem ousou
trocar suas farras e brincadeiras com amigos, por um amontoado de palavras, passando
assim, a "brincar com as letras, as palavras"
Leo - Sabemos que você foi um dos
destaques da oficina Vida e Arte, realizado no período de 02 a 13 de setembro de 2002.
Portanto, gostaríamos que nos falasse um pouco sobre o evento, e como está se sentindo
após ser reconhecido como um contista de já chegou na oficina pronto?
Gostaríamos de saber um pouco mais sobre
você
Leonardo Pinho Aguiar,
nasci aqui em Fortaleza -Ce. no dia 09 de junho de 1983, portanto, tenho 19 anos de idade,
já conclui o ensino médio e atualmente faço cursinho ( curso preparatório para
prestar vestibular). Escrevi um livro em prosa e estou escrevendo um outro em
contos, sendo que , infelizmente, ainda não foi editado nem mesmo o primeiro, espero que
futuramente sejam não apenas esses dois, mas outros que estão por vir. Não pratico
desporto, mas tenho um esporte que amo de paixão. Poderia nos falar desse esporte? Claro
Vilma, trata-se da escrita, adoro escrever poemas, contos e outros. Com quantos anos você
começou a desenvolver seu lado poético? Foi exatamente nos meus 15 anos, isso, em plena
sala de aula, interessante é que me apaixonei por uma colega e como não quis me
declarar, comecei a escrever poemas para ela. E quanto ao seu estilo? Olha que eu
não tenho bem um estilo próprio, pois gosto muito do hibridismo, como também tentar
mexer com todos os estilo que vai da comédia ao drama, mas gosto de contos e por isso
estou escrevendo um livro híbrido, assim como o grande contista Moreira Campos, tento
misturar estilos, é assim que gosto de apreciar e viajar nos grandes contos,
criado por grandes autores..O meu Primeiro livro, Catecolaminas, é um romance policial,
bem influenciado por Rubem Fonseca. O livro de contos que estou escrevendo é um livro
híbrido (ou híbrido o)???
NOTE - Esse livro foi editado ou você
somente o boneco que está pronto para edição? Veja o ano de publicação. Aproveite
para falar um pouco mais sobre a obra que esta escrevendo no momento.
E-mail : leobarba@yahoo.com.br
- Na Internet, quais os sites que mais
visita : Comecei a visitar a Grande Biblioteca Virtual e descobri que é o melhor site de
literatura em língua portuguesa. Nele encontrei grandes autores, e já fiz o download de
várias obras. - Qual o jogo de computador que ainda está por inventar ? : Sim city 2000
e Sim City 3000-
- Pratica desporto ? __Não__ Qual é o
clube do seu coração ? : Sem preferência
- Costuma ir às compras ? Quase sempre
Qual é o produto de primeira necessidade que considera seu custa os olhos da
cara ? : o quilo de carne. Leo você costuma almoçar ou jantar
freqüentemente em restaurantes ? Sim, em minha casa, gostamos de aproveitar os finais de
semanas e feriados para ficarmos juntos . Em média, quanto gasta por pessoa ? : Na
faixa de uns 40 reais. Gastaríamos que nos falasse um pouco mais dos seus trabalhos
literários: Escrevo poemas contos e prosa. Tenho um livro em prosa, que se chama
catecolaminas e um livro em contos que se chama insólito que ainda está por fazer. Gosto
também do gênero crônica, apesar de não ser um cronista. Nos últimos 30 dias
escreveu ? : _Sim______ Que gênero de trabalhos : -Poemas e contos. Diga-nos como esses
trabalhos foram divulgados? Através da internet e entre amigos. Neste ano você
pretende publicar algum (ou alguns) livros ? : _Sim ___ Impressos ou Virtuais ?.
Virtuais e espero que sejam inseridos na grande biblioteca do "Cá Estamos
Nós", que na minha opinião é uma das mais belas, já visitadas por mim.- Que pensa
da Biblioteca Virtual Cá Estamos Nós ? : - Vilma, como já falei
anteriormente, além de ser lindíssima, vejo também como uma grande iniciativa que
possibilita a exposição de novos escritores, e isso, por preços simbólicos,
contudo, podemos obter informações sobre quase todos os gêneros
literários. E o melhor de tudo é que pelo o número de visitas, dá para concluir que os
trabalhos são lidos e apreciados por pessoas de todo o mundo. Vejo como
um avanço para a literatura e para a língua portuguesa. De zero
a dez classifique os itens que presentemente fazem parte do projeto Cá Estamos
Nós : -- Portal : __10__ Magazine : - __10__ Divulgação : - __06__ Toque
Literário : - __10__ Pura Poesia : - __10__ Leitura crítica a livros dos membros do CEN
: - __07__ Grande Entrevista : - __09__ Entrevista gênero radiofônica : -
__08__ Visita à Família ... : - __09__ Outros (Quais ?) : - ____
Gostaria que um amigo (a) fizesse parte
da Grande Família Cá Estamos Nós : - Camila Carmo Dos Santos milamaharish@ig.com.br
Quer falar um pouco do local onde mora ?
: Resido em Fortaleza, desde que nasci, sou um grande admirador desta terra de gente
hospitaleirae e de grandes escritores, como é do conhecimento de todos, um dos maiores
contadores da história da literatura nasceu aqui no Ceará, o grande Moreira Campos.
Fortaleza tem belas praias e seu clima é tropical, mexendo assim, com a
sesíbilidade dos escritores cearenses. Daí o verdadeiro motivo dessa cidade ter
tantos escritores que escrevem guiados pelo sol . -
E-mail : leobarba@yahoo.com.br

COMPUTADOR - Leonardo Pinho Aguiar
Anteriormente tinha sido
citada a palavra desespero, eu estava imersa na fumaça de meu cigarro o
bastante para estar na conversa, mas nessa hora me voltei para eles dois, senti vontade
naquela hora de escrever, mas não tinha papel, muito menos computador, eu infelizmente
tenho esse pecado, só escrevo de computador. Mas a palavra desespero me
chamou a atenção para o sentimento que nutria naquele momento, não que eu estivesse
desesperada, mas olhar para eles e não saber se eles existiam realmente, me deixava muito
mal. O fato de olhar para si, e sentir só o si próprio foi motivo de questionamento para
mim mesma, porque que ninguém escreve sobre isso? Será que só eu penso isso? Fiquei um
pouco angustiada, e estava chegando próxima do desespero. Ele olhava-me e dava um gole na
sua cerveja, um trago no cigarro, e sorria seu sorriso amarelo, eram tantas pessoas,
naquela mesa , tantos sons, tantas palavras, tantos risos, e eu só sentia-me eu, em toda
a amplitude do ser, em toda minha singularidade existencial. O campo de audição se
expandiu, o campo de visão era imenso, todas aquelas luzes, aqueles sons, aquelas
vitrines azuis que vomitavam cores neon, tudo isso me assustava. Olhava o asfalto
remendado, olhava os besouros nos postes, ele continuava a me olhar placidamente, como
quem não espera, como que não doa, e ele era o meu tudo na minha visão turva naquele
momento. Mais pessoas chegaram, chegaram mais chopes na mesa, e eu sentia a cada gole que
ia ficando cada vez mais presa àquilo que fazia. O sorriso muitas vezes forçado, sem
motivo para rir, do que eles riam, eu não sabia, mas ria também, ria porque sentia a
vida, ria porque era mulher, era livre, eu simplesmente ria. As conversas eram amplas, e
eu sempre parava para ouvi-La, um falava de política, outro falava de futebol, e eu
sentia-me cada vez mais mínima dentro das sombras das palavras, ele continuava a me olhar
sorrateiramente, mas eu me mantinha calada, o desespero voltara a bater. Senti-me cada vez
mais singular, não sabia o que falar, só sentia eu, eu e mais eu, apenas o leve sopro da
existência, estar, ser, como senti vontade de escrever, escrever sobre eles, eles eram
eles, não eram eu, e isso nunca aconteceria, você entende? Entende como é desesperador
saber que eles nunca vão ser eu, e mesmo assim eu falo com eles, como se o que eu falasse
fosse entrar ao ouvido deles, eu embaralhava-me cada vez mais com minhas palavras, estava
confusa o bastante para perceber que ele agora se colocara ao meu lado, e que a fumaça do
seu cigarro encontrou os meus cabelos.
Simples a razão de meu pensamento, eu
estava confusa, pois esquecera de tomar meu medicamento naquela noite, a cerveja já tinha
me deixado tonta e no âmago do meu silêncio as pessoas interrogavam-me se aquilo era
tristeza, mas não era, estava em conflito comigo mesma, e apenas com vontade de escrever.
Oi, me chamo Roberto do Banco
Safra, você é... Alguns segundos fitei seus olhos e senti o quão gigante era a
existência.
Me chamo Solange. Meu nome
quase não saiu direito, mas ele apenas voltou a falar, e a cada palavra que ele falava
sentia que seus lábios mexiam num movimento sensual, mas eu não tinha cabeça para
pensar naquilo naquele momento, eu estava bem confusa para saber ao certo o que fazia,
será que ele se questionava sobre a imensidão da existência, não, acho que não. Eu
era uma mulher de meia idade, e lutava com minha velha cabeça, precisava escrever.
Você tem computador em casa?
Ele sorriu meio sem jeito, e piscou o
olho...
Tenho sim... Saímos do bar
, sobre olhares dos curiosos, mas eu precisava escrever, e quando chegamos lá, ele foi
bem gentil, me tratou bem, e deixou-me servir do computador, o qual passei horas teclando
sobre o minha visão do que tinha sido àquela noite. Saciado o meu desejo, saciei o
desejo do macho. E a vida enfim me deixou repousar sobre um colchão de veludo.
(Barba Pinho)
SAUDAÇÃO
É com todo o prazer que deixo uma grande
saudação a todos os escritores da família "Cá estamos Nós". Eu espero que
todos os escritores continuem com a fertilidade que lhes é característica para a
produção de novas obras da literatura portuguesa.

PRIMEIRA NOITE DE CARNAVAL - Vilma
Matos
O carnaval sempre me pareceu uma festa para gente atrapalhada, mas de repente senti
vontade de vivenciar um pouca dessa brincadeira que mais parecia com uma grande
palhaçada.
Mandei confeccionar um topizinho e
uma quase saia, ambos de cor vermelha e com alguns detalhes, para assim, dar o
realce, principalmente na parte de baixo que nem de longe parecia ser
uma saia, feita de tecido fino, transparente e o pior de tudo é que a danada
nunca ficou fora de moda e mesmo depois do carnaval, ela é sempre
usada.
Os homens apreciavam e apreciam, pois
gostam de ver pernas, embora não sejam grossas e bem torneadas.
Desde que me entendi por gente este
modelito é conhecido com o nome de mini-saia, são quase sempre muito curtas
e não cobrem quase nada.
Minha mãe por sua vez,
olhava-me como quem estava encantada, pois me admirava como se eu fosso uma
verdadeira obra de arte, enquanto isso, eu morrendo de medo e também
envergonhada, acreditava que depois de concluir suas observações fosse puxar as
minhas orelhas e em seguida, dar-me umas boas palmadas.
Passado alguns instantes ela
decidiu falar: vai filha querida e procure se divertir de forma ajuizada e se por a
caso conhecer um homem interessante, pode fazer com ele, amizade! Quem sabe se um
dia ele será seu namorado!
Tenhas muito cuidado, pois tu estás tão
linda que por alguns momentos cheguei a ficar impressionada, até então, não havia
percebido o quanto és linda e bela, somente agora foi que entendi que a
menina cedeu lugar para uma belíssima mulher, dotada de curvas, formas,
encantos... só espero que tenhas juízo e não esqueça que depois das quatro
noites, os príncipes costumam virar sapos e ainda tem aqueles que passam o
ano inteiro guardando o seu suado dinheiro para esbanjarem, se mostrarem de forma
descontrolada, chegando a gastarem tudo que juntaram durante um ano, em apenas
quatro noites de carnaval.
Estes não lhe servem!!
Veja o que aconteceu com a filha do
compadre Zé, que no ano passado foi a um baile desses e voltou acabrunhada ... hoje está
dividindo seu quarto com um caboclo que não tem onde cair morto. Portanto, só lhe
peço que seja esperta ao ponto de não se deixe enganar, por cantada ou conversa de
homens vadios que só pensam em transar, esse mundo está realmente perdido. Vê se não
dá mole! Apenas procure se divertir e não se deixe levar!
Cheguei ao clube como quem nada queria e
no primeiros momentos fiquei quieta apenas a sondar, esse ambiente é meio esquisito, mas
já que estou aqui é o jeito ficar. Então pensei, mas como me adequar a essa gente
que mais parece um bando de delinqüentes?
Ah! Sinceramente para mim não dá.
Algumas criaturas passavam e me diziam
sempre algumas piadas, ficava vermelha, mas não dizia nada.
Sentia-me só e amedrontada.
Observei que estava vindo em minha
direção um carinha, seus modos eram estranhos e esquisitos e antes de se aproximar, já
foi logo me tomando pelo braço e me arrastando para o salão, seu comportamento me
assustou... e esta criatura sem nenhum escrúpulo, vestia-se de inseto,
mosca, senti-me logo enojada com aquela figura horrorosa que, além de ser feio era
um grande desavergonhado que a todo instante insistia em me puxar para junto de seu corpo
suado, sua intenção era me dar um grande amasso.
Gritei por socorro, mas ninguém me
escutava, pois o barulho era infernal, foi quando surgiu quase que por encanto um
jovem bonito e forte fantasiado de zorro, deu um soco no atrevido e me puxou para o
seu peito, dizendo fique tranqüila boneca que ninguém ira te fazer mal, estou
aqui, vou te proteger por todas as nossas vidas. Basta que teu pai, conceda-me esse
direito.

EVENTOS
:
A conhecida coordenadora do CEN no estado do Ceará, a querida contista Nilze
Costa e Silva, inaugurou no mês de setembro o espaço cultura Arco Íris
, onde a mulher tem lugar destacadíssimo. Com o auditório repleto do elemento
feminino e mais alguns masculinos, isso, para embelezar ainda mais o ambiente. Nilze fez a
sua palestra de abertura com o tema subordinado Poemas Violados", tendo a
presença marcante da cantora Aline Costa e sua guitarra, em seguida Nilze passou a
palavra a nossa poeta e editora do "Fortaleza em Notícias" Vilma Matos,
ocasião esta em que declamou um poema de sua autoria intitulado
"NAVE", o referido poema foi colado no painel "Espaço
do Poeta" juntamente com outros trabalhos de autores renomados.
Durante toda o
evento os poetas ali presentes tiveram a oportunidade de apresentarem seus trabalhos.
Vejam, este é o famoso espaço cultural, onde todos terão sua vez.


NOTÍCIAS
...
A NAVE ontem dia 09 de setembro de 2002, teve o imenso prazer receber entre o seu corpo de
associados/as a adesão da poeta cearense Vilma Matos, que aceitou o convite insistente da
diretoria. Com a presença de Vilma, a NAVE sem dúvida alçará ovos vôos. Estamos
preparando a nossa participação na Bienal do Livro, um evento nacional, que se
realizará em outubro no Centro de Convenções. Durante o evento faremos uma
apresentação do projeto "Poemas Violados - um poema, uma canção". Dez poetas
estarão se apresentando, inclusive a Vilma Matos, nossa nova componente.
O que é a NAVE ?...
NAVE - Núcleo de Ação e Valorização
da Espécie Humana
A NAVE é uma organização civil sem
fins lucrativos. Foi fundada em 1998 e tem atualmente em sua direção: Nilze Costa e
Silva - presidenta; Cristiane Marinho - vice-presidenta; socorro Lopes, tesoureira, Maria
Aurineide Martins, secretária geral.
A diretoria e demais associadas/os são
profissionais da área de psicologia, administração, filosofia, serviço social,
pedagogia e outras.
Endereço: Rua Silva Paulet, 3293, Bloco
C, sala 8 - shopping Delta, Bairro Dionísio Torres, Fortaleza-Ceará - CEP 60.120.012;
Fone (085) 257.8448.
A NAVE tem como missão desenvolver
ações de valorização humana na busca da eqüidade de gênero, raça e etnia.
ATUAÇÃO: Trabalha com valores e
comportamentos relacionados às relações sociais de gênero, saúde e sexualidade,
direitos humanos e prevenção à violência doméstica.
AÇÕES: Desenvolve ações educativas
que possibilitam atitudes positivas de auto-estima, fortalecimento da condição feminina
e o resgate d valor social, individual e político da infância e adolescência; Aprofunda
estudos, conhecimentos e metodologias acerca da sexualidade humana, relações de gênero
saúde e cidadania; Contribui com a cultura local, promovendo eventos como lançamentos de
livro e outros, relacionados às manifestações artísticas do nosso povo.
LINHAS DE INTERVENÇÃO: Desenvolve de
forma permanente oficinas, cursos, seminários, palestras e debates e promoção de
eventos culturais.
ARTICULAÇÕES E PARCERIAS: Secretaria de
Saúde do Estado; Comissão de Direitos Humanos da Assembléia Legislativa; Correios e
Telégrafos, FUNCET
Participa dos seguintes fóruns:
1. Fórum de ONGs/AIDS
2. Fórum de Mulheres Cearenses
(coordenação)<
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3. Fórum de Combate à Exploração
Sexual de Crianças e Adolescentes.
4. Fórum de Combate a Trabalho Infantil
5. Observatório do Judiciário
6. Fórum Cearense de Direitos Humanos
(Assembléia Legislativa)
Participou do Fórum Social Mundial em
2001 e 2002
Participou da Conferência Nacional de
Mulheres Brasileiras, 6 e 7/06/2002
TRABALHOS REALIZADOS:
- Oficinas de sexualidade e gênero para
adolescentes - Vilas Olímpicas, em parceria com a Secretaria de Saúde do Estado (1998)
- Oficinas de sexualidade e gênero para
adolescentes - Projeto Comunidade Solidária (1999)
- Programa de capacitação para o
Desenvolvimento Local, parceria com o CETRA (2000)
- Oficina de sexualidade e auto-estima
para mulheres na maturidade - auto-financiado (Espaço Ânima), 2000
- Oficinas de gênero e DST/AIDS para
lidernaças do GACC ( Grupo de Apoio às Comunidades Carentes (2001)
Projeto Poemas Violados, no Mesa de Bar e
Estoril - 2001/2002
Oficina de Sexualidade e Gênero para o
GACC ( Grupo de Apoio às Comunidades Carentes) de 20 a 24/05/2002.
- Participação em congressos,
conferências; debates e palestras em escolas e universidades
RESULTADOS ALCANÇADOS: aumento do nível
de conhecimento e responsabilidade dos/das participantes.
FONTES DE RECURSO: contribuição dos/as
sócios/as, cursos auto-financiados, pagamento dos investimentos das oficinas pelas
instituições parceiras citadas.

ESSA RUA TEM HISTÓRIA ... -
Nilze Costa e Silva - escritora
Do Centro Cultural Dragão do Mar, olho a rua que se estende, não muito longe. Mas o
que houve com ela, encurtou? Ou encurtaram meus passos, quiçá minha visão de adulta?
Nos meus tempos de menina esta rua era imensa. Pois por ela meninei, logo que cheguei da
minha cidade Natal - RGN, com 1 aninho de idade. Aos treze anos me fui,
olhos molhados, rumo ao desconhecido. A parte boa da minha vida e o maior espaço de tempo
também, devo dizer que vivi na casa de número 440, da Rua Dragão do Mar. Foi esta a rua
que me viu ensaiar, em câmara lenta, os primeiros passos trôpegos e já incertos.
E acalentou os indecisos sonhos de uma adolescente insegura e tomada por paixões
fáceis, até pela rua. Lá minha alma terrena conheceu o primeiro
amor, nunca retribuído. Também foi ali que derramei a primeira
lágrima ao ouvir no rádio antigo de meu pai uma canção do Vinícius falando só de
saudades e tristeza de partir: "Ah, vontade de ficar, mas tendo que ir embora/ Ai,
que amar é se ir morrendo, pela vida afora/é refletir na lágrima o momento breve/ de
uma estrela pura cuja luz morreu/ de uma noite escura, triste como eu."
Olho
a Praça dos Aviões, hoje tão festiva e iluminada e lembro que lá meu pai - o boêmio
Ten. Adauto nos levava, a mim e aos irmãos, nas tardes de domingo, a passear de
velocípede. Naquele tempo a Rua Dragão do Mar era marcada por um apartheid, que eu não
entendia muito bem. No primeiro quarteirão, a partir da Capitania dos Portos, havia uma
zona de prostituição, onde reinava a famosa Maria Cabelão e os homossexuais Elvis
Presley e Zé Tatá. Esta zona era proibida para as crianças e adolescentes e, se
tínhamos mesmo que passar por lá, deveríamos descer a calçada, pois era até pecado
olhar as casas, os adultos diziam. O próximo quarteirão até a travessa Itapipoca,
principalmente a calçada da Fábrica Jonhson, era toda da meninada, para os jogos de
bila, arraia, manjô e macaca (essas brincadeiras hoje possuem outros nomes que me recuso
a traduzir por saudade e despeito). A partir daí, a rua subia num
morro de areia. De um lado um pântano e um córrego, onde as lavadeiras lavavam as roupas
dos que ficavam embaixo, na parte calçada. Do outro lado um terreno murado, onde nos
deparávamos com inscrições obscenas e desenhos pornográficos. No inverno, as águas da
chuvas desciam vertiginosamente ladeira abaixo, indo desembocar num esgoto - era a nossa
cachoeira em miniatura. O melhor programa da época: tomar banho de chuva e observar os
caracóis indolentes na sua caminhada interminável e os peixinhos ágeis,
que nos escapavam das mãos. Era ali que deixávamos sem rumo os barquinhos de papel que a
correnteza levava.
Rua Dragão do Mar, túnel do tempo. Viajo nas lembranças e na dolorosa certeza de que
não se pode preservar ao menos o cenário dos tempos bons da infância. Novas cenas e
novos personagens invadiram a minha vida. Mas quando durmo e sonho, nem Freud explica
o porquê de, na maioria das vezes, estarem lá, todos na casa grande onde hoje
cabe bem mais gente - como se eu nunca tivesse me apartado de Iracema.

Chama - Claude
Um suspiro nos chama
Traduzindo o silêncio
De tanto tempo...
Tempos diferentes
Mascarando a face
De personagens bisonhos...
Estranha essa voz
Impacto fulminante
Compondo a sinfonia
De nossa vida...
Animo, rumo
Estrada, vértice
Para onde seguimos
Perdidos, errantes...
Pensamento ausente
Dialogamos com o universo
Expondo este detalhe sensível
De nossa saudade.
Tempos diferentes...
Mesclando o fantástico
Aos nossos sonhos.
Existência encantada
Descobertas, magia...
Um suspiro que chama
Uma chama que arde
Palavra que surge
Perdendo-se em sua complexidade.

"os
grandes homens são muitas vezes solitários. essa mesma solidão, entretanto, faz parte
da sua capacidade de criar. O carácter, como a fotografia, revela-se no escuro"
(YOUSUF KARSH).

Queridos Leitores, espero pela vossa opinião e crítica a este meu trabalho que,
gostosamente, fiz para vocês !
Um beijo no vosso
coração,
Maria Vilma
Matos Peixoto

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