FORTALEZA em NOTÍCIA

FORTALEZA em NOTÍCIA

Órgão Informativo de “Cá Estamos Nós” – Diretor Carlos Leite Ribeiro


         Editora : Maria Vilma  Matos Peixoto           Edição trimestral  - Nº 01 (Outubro de 2002)

 

 


          
        
Nota de Abertura – Maria Vilma Matos Peixoto

     Ao começar esta nova iniciativa do “Cá Estamos Nós”, como Editora, quero agradecer a todos que colaboram neste número, com o meu muito obrigado. Estamos aberto a todas iniciativas culturais, privilegiando como é óbvio a literatura, seu escritores / poetas. Peço-vos que considerem este espaço de grande divulgação “Cá Estamos Nós”, como sendo de nós todos, portanto, deverá ser feito por todos nós. Aqui, ninguém é melhor do que ninguém, mas simplesmente diferente na sua maneira de pensar, criar e escrever. Vamos respeitar todos para podermos ser também respeitados. Não me vou alongar em mais considerações, pois o nosso grande juiz serão os nossos leitores, aos quais desde já peço, além dos vossos trabalhos, também as vossas críticas e sugestões. Abraço Vilma Matos .

J O A N A  - Carlos Leite Ribeiro

         Naquela cama de um hospital, agonizava uma adolescente.
         Quem a tivesse conhecido, com certeza que naquela altura não a teria reconhecido : cabelos rapados, tubos no nariz e na boca ... era um farrapo humano, aquela que ainda há pouco tempo era uma linda menina.
         Tudo começou quando os pais se divorciaram. A mãe, começou então a conhecer amigos e amantes.
         A Joana, que na altura era estudante, começou a ter da parte da mãe uma liberdade que até aí nunca tivera.
         O pai talvez não fosse grande coisa, mas impunha ordem e respeito.
         À mãe da Joana, convinha esta liberdade que dava à filha, pois assim, podia andar na vida amorosa que, secretamente, sempre desejou.
         A Joana começou a andar com "amigos"; começou a ir a muitos "trabalhos em grupo"; começou a drogar-se; começou a ter sexo ...
         E a doença do século, a Sida, tomou conta do seu belo e promissor corpo e do seu belíssimo rosto.
         Quem a viu e quem a vê: cabelo rapado, tubos na nariz e tubos na boca ...
         Pensou na mãe. Talvez quando soubesse da sua morte, filosoficamente pensasse: "A minha filhinha não teve sorte nesta vida". E, com o seu grande poder de auto-desculpa, continuasse a pensar: "Se ela fosse como eu, ainda hoje estaria viva - a culpa foi dela !".
         A morte aproximava-se de Joana. Revoltou-se.
         Tinha vivido demasiadamente depressa a vida, mas nunca soube o que era o seu lado bom. Agora estava prestes a extinguir-se. Não, Joana não queria morrer, queria ser feliz. Desejava Ter filhos para um dia poder transmitir-lhes a sua dolorosa experiência. Desejava Ter filhos para os poder educar, para mais tarde eles poderem ser os "espelhos" da sua própria vida.
         Entretanto, Joana morreu ... ...
         Quase milagrosamente, após a sua morte, as belas feições de Joana apareceram novamente.
         Parecia que sorria.
         E talvez sorrisse ...
         Talvez o Senhor Bom Deus, na sua infinita bondade lhe tivesse segredado que contava com ela, no Dia do Juízo Final ... ... ...
        
         Carlos Leite Ribeiro   - Marinha Grande - Portugal

 A  ARTE DA PALAVRA- Vilma Matos
        
 
          A palavra expressa o pensamento
         cria situações de toda a sorte
         podendo agradar ou desagradar
         conduzindo ao amor ou a morte.
          
         A palavra traduz a força
         que torna o homem forte
         e muitos a empregam
         até na hora da morte.
          
         A palavra iinstrui, constrói
         quando bem utilizada
         e quando mal! Destrói, distorce
         verdade não contada.

A Entrevista do Trimestre:  Francinete de Azevedo Ferreira

          Estamos  aqui na Academia Feminina de Letras do Ceará - AFELCE,  para entrevistar e assim conhecermos melhor  uma das nossas mais recentes colaboradora do CEN, trata-se da grande e admirável escritora Francinete Azevedo , ou como já se tornou carinhosamente conhecida por  "Tia Nete", isso pela sua dedicação para com o publico infantil. 

          Querida Francinete, nossos autores e leitores do  Editorial "Fortaleza em Notícias" gostariam de saber um pouco mais sobre você? Vilma, saiba que é um enorme prazer colaborar  com esse número e participar dessa excelente iniciativa do portal "Cá Estamos Nós" . Como  é do seu conhecimento e dos demais... que passei a integrar ao CEN a menos de um mês,  mesmo assim, já deu  para sentir firmeza,  dedicação... não só do diretor, como também de todos que fazem essa grande família, desde já quero  me colocar a inteira disposição de todos. Claro que  tudo dentro das minhas possibilidades. Agora vamos deixar as considerações para atender ao seu  pedido e falar um pouco de mim, o que faço e o que ainda pretendo fazer. Bom,  moro em Fortaleza/ Ceará/ Brasil, "Terra da Luz" - "Terra do Sol" - segundo o escritor cearense Paula Ney - " A loura Desposada do Sol" - sendo o Ceará o primeiro estado a libertar seus escravos. rua  Libania, 242, Bairro Serrinha, nasci em 27 de janeiro de 1948, portanto tenho 54 anos de idade, sou graduada em letras pela Universidade Federal Do Ceará,  professora aposentada e atualmente tenho como robe escrever, escrever e escrever, portanto, adoro passar meu tempo idealizando, criando imagens para alegrar, embelezar a vida de  crianças e adultos  e com muito carinho, procuro desenvolver meus trabalhos  enfatizando realidades e fantasias, isso de forma a agradar crianças e adultos. Muito bem. Pode nos falar um pouco sobre suas obras literárias? Vilma, como você sabe, tenho 02 livros publicados, sendo o 1º Ciranda de Emoções em 1996 (feito em parceria com o escritor cearense Ezequiel Pinto de Souza, 0 2º Histórias da Tia Nete (histórias infantis)volumes I e II em 2001 e várias participações em antologias  e coletâneas. Seus autores preferidos? Rachel de Queiroz, Cecília Meireles, Clarice Lispector, José de Alencar e Machado de Assis. Obras:  O Quinze, Helena,  Olhai os Lírios dos Campos. Quais são suas músicas e autores preferidos? Gosto de Emoções -  Roberto Carlos, Mulher - Erasmo Carlos,  Moolight Serenade, OnlY You Richard Clayduman. Francinete, o filme comercial que mais gostou?  O Titanic. E sua melhor qualidade? Ser solidaria e amiga. Seu maior defeito? Ser pessimista. Seus passatempos preferidos? Apesar de não dispor de muito tempo, gosto de ir ao cinema, ler um bom livro e  palavras cruzadas.

            E quando criança? Adorava ler e ouvir histórias infantis. Atualmente como você se auto-define? Vilma me considero uma pessoa  justa, solidária, romântica, sonhadora e divertida. Francinete, essa é a pergunta que mais gosto de fazer. Nós do "Fortaleza em Notícias" gostaríamos de saber como vai de amores? Bem, graças a Deus. Vivo cultuando o passado, onde fui protagonista de uma grande história de amor. Uma característica que aprecia nos outros? A bondade. Poderia nos dizer qual foi o maior desafio que aceitou até hoje? Foi ser escritora, veja que não foi nada fácil, tive que enfrentar muitos obstáculos para chegar onde cheguei, mas valeu, pois onde chego sou respeitada e reconhecida, como sabemos, tudo na vida tem um preço. Creio que eu paguei o meu.

          Que tipo de vida daria sua vida?Romântico. O arrependimento mata? Não! Angustia.De que mais se orgulha? De ser professora.Qual o personagem que mais admira? Irmã Dulce. Uma imagem do passado que não quer esquecer no futuro? Meu esposo. Isso é que eu chamo de amor, você continua amando seu esposo e por sinal de uma forma linda. Parabéns querida. A cultura será uma botija de oxigênio? Sim, com certeza necessitamos da cultura como quem precisa do oxigênio, pois impulsiona o progresso, o desenvolvimento. Qual é o cúmulo da beleza? Para mim,considero que seja a simpatia. E da fealdade? A arrogância e a antipatia. Que vício gostaria de não ter? Sinceramente, eu não gostaria de ser perfeccionista, isso as vezes incomoda a mim e aos outros.  Prato predileto? Carne. Bebida preferida? água e refrigerante. As piadas às louras são injustas? Sim, a cor da pele ou dos cabelos não revelam o caracter ou intelectualidade de uma pessoa. Seu dia começa bem se... acordo com o canto dos pássaros. Que influência tem em você a queda da folha e a chegada do frio? O surgimento das decepções e o frio o desencanto dos sonhos. Que livro anda a ler? Estou lendo um belíssimo livro de autoria de professor Batista de Lima  "Janeiro é um mês que não sossega". E se de repente lhe oferecerem flores... isso é maravilhoso, uma prova de amor, de carinho. O que significa para você o termo esoterismo? Como ainda não parei para analisar e me aprofundar no assunto, considero-o  misterioso. Acredita na reencarnação? sim. Acredita em fantasmas ou em "almas do outro mundo"? Em algumas vezes sim, pois acredito que espíritos perturbados podem em alguns casos serem confundidos com fantasmas. Para você o imaginário será um sonho da realidade?sim. Você ccredita em histórias fantásticas? Sim e  porque não? Sou poeta. Deus existe? Sem sombra de dúvidas. Claro que existe.

UM CASO DE AMOR  - Francinete Azevedo

Quem não gostaria de
         Vivenciar um amor sincero,
         Alucinante?
         Uma paixão avassaladora,
         Uma relação comprometida
         Apenas, com a Felicidade!
        
         Os melhores momentos
         Da vida a dois,
         Devem ser coroados,
         De ternura e de
         Alegrias infindas,
         Para que se tornem
         Recordações inesquecíveis.
         O amor dá colorido à  Vida!

MARIA E O GALO – Vilma Matos

                Maria durante alguns anos,  coincidentemente, despertava sempre às 6:00 horas e procurava escutar o alvoroço  das galinhas e o  cocorocó   do galo. Quando estava com insônia, até que apreciava aquela conversa de galinha, mas nos finais de semana era o verdadeiro terror, pois queria dormir um pouco mais...
          Hoje, estranhamente, Maria não conseguiu acordar na mesma hora de sempre e dormiu até às 8:00 horas.
          O que aconteceu?
          Por que não acordei?
          Ficou muito aborrecida com o incidente,  pois estava atrasada e isso, jamais havia acontecido desde que passou a dar aulas na fazenda vizinha.
         Procurou não se deter e para não perder mais tempo, levantou-se e  rapidamente  foi ao armazém comprar ração  para os animais, como também o milho para as galinhas, e durante o pequeno percurso pensou:  como o milho está caro! Ainda bem que matei aquele galo velho, só servia mesmo para comer, beliscar as galinhas  e fazer barulho durante madrugada.
          Após colocar sua casa em ordem, a professorinha  saiu  andando a passos largos ruma a fazenda vizinha, pois com certeza o Sr. Henrique já deve estar preocupado e os alunos bem agitados, tudo por ser  esta a primeira vez que estaria chegando  atrasada.
         Quando retornou a sua casa, já passavam das 12:00 horas, tomou um banho rápido e em seguida foi até a cozinha verificar o que tinha para o almoço, abriu o freez e percebeu que somente existia ali a carne do galo que  havia matado no dia anterior, considerava-o velho  e inútil, não tinha mais nenhuma serventia. De repente Maria toma um susto e começa a falar sozinha e em voz alta
         - Meu Deus!   Quanta injustiça!  Não era inútil como eu pensava!  Mais por que não acordei antes?  Era ele quem me acordava com seu insistente cocorocó.  E agora o que vou fazer?   Como pude ser tão  cega? ..

FLortaLoleza – Século XX I:     

Nome completo: Mário Gomes

          É sempre um grande prazer estarmos  aqui na Praça do Ferreira, bem em frente ao cine São Luís e encontrar este grande poeta cearense,  o bem conhecido e irreverente MÁRIO GOMES ,  – Nós que fazemos o "Cá Estamos Nós", gostaríamos de ouvir do próprio, se o que dizem a seu respeito é realmente verdade. Mário, pode nos falar um pouco sobre você?  Simpaticamente o nosso entrevistado respondeu: - Olha querida Vilma Matos, querida poetisa, sou realmente um poeta maluco e irreverente, e isso é de minha própria índole, não consigo criar um poema que não seja explicitando essas características. “Nasci em Fortaleza na Rua Sousa Carvalho, 357 Bairro Bom Sucesso, nasci no dia 23 de julho de 1947, portanto tenho 55 anos de idade, descobri-me poeta aos 18 anos,  faz  37 anos que escrevo poesia. Já publiquei 08 livros tenho uma biografia editada por Márcio Catundo em minha homenagem , e agora será editado mais uma obra em que também serei  homenageado, sendo que dessa vez,  deverá ser narrado minha longa história de vida e de loucuras tendo como título "Vida e Obra de Mário Gomes" pelo poeta Vicente Freitas de Bela Cruz. Também já viajei muito pelo Brasil a fora, perfazendo um total de 17 viagens, fui 10 vezes a Salvador, quando me dava a loucura, eu me largava daqui para o Rio de Janeiro, isso quando  era mais jovem, nos meus 25 a 30 anos, ia a pé daqui  para o Rio de Janeiro, passava de 15 a   20 dias andando pelas estradas desse mundo de meu Deus, cheguei a pegar umas 70 caronas  até chegar ao meu destino, quanto a alimentação saia pedindo nas casas de camponeses, restaurantes, chegando ao Rio de Janeiro perdi meus documentos, fui preso... depois de dois há três meses retornava para casa, meus familiares  me achavam magrinho e  totalmente  doido, isso de tanta farra e birita. terminava por ser internado em clinicas ou em hospitais psiquiátricos. Entendeu? Mário, dizem que todos os poetas são loucos. Você concorda com isso? Eu concordo. Sabe porque Vilma, é que para   mim, o poeta é uma espécie de para-normal, no meu entendimento um poeta não tem como ser normal, escreve e pensa coisas que em muitas vezes, ele mesmo tem dúvidas se é ou não é sua criação, (ele nunca é normal), veja, as pessoas consideradas normais não conseguem compreender a sua própria existência, há pessoas que me fazem perguntas totalmente absurdas, então penso: jamais um poeta faria uma pergunta dessa natureza, pois mesmo aquele que é  analfabeto, consegue encontrar na sensibilidade os conhecimentos de que precisa para criar seus trabalhos literários, solta a imaginação e sai descrevendo imagens e situações, jamais imaginadas por alguém que seja poeta (louco). Quase sempre ele atribui suas criações a divindade. Como poetisa você bem sabe, que as inspirações devem vir de uma  fonte suprema, portanto necessitamos ter sensibilidade para captar essa mensagem. Sua ocupação profissional? Vagabundo e Malandra, trabalhei apenas um ano de  carteira assinada. Mário, isso chega a ser incrível, pois não consigo me imaginar fora do meu trabalho. Poderia citar para nós os nomes de suas obras. Vilma atualmente tenho  08 obras literárias. 1º Lamesse de um Ego 1981, 2º Emoção poética 1983, 3º Resquícios de uma Paisagem da Vida em 1988, 4º Devaneios de Lamentações em 1991, 5º Aprendizes da Morte em parceria com Márcio Catunda e Cristiane Marinho,  Além do infinito em 1998, e Tam de Poesia em 1997, teve também uma Antologia Poética  onde foi feito uma coletânea de todas as minhas obras. E agora estou com um 9ºLivro que é um prelo, chamado Ação Gigantesco- vida e obra de Mário Gomes.  Mário, tem mais algum projeto, além desse último que ainda será editado? Sim, tenho. Gostaria de falar um pouco desse projeto? Sim.  Recebi recentemente uma proposta da Diretora da Ação Cultural do Dragão do Mar a Sra. Elizer Guinter para fazer um documentário cinematográfico sobre a minha vida. Muito bem. Parabéns!  Autores preferidos? Gosto muito dos autores brasileiros como Olavo  Bilac, Castro Alves, Vinícius de Moraes, Manoel Bandeira, Carlos Drumond de Andrade e outros. Seus cantores preferidos? Gilberto Gil, Caetano Veloso, Maria Bethania, Roberto Carlos, Gal Costa, Tom Gilberto. Um filma comercial? Ghost do Outro Lado da Vida. Sua melhor qualidade? Não gostar de mentir, prefiro arriscar minha própria vida em nome da verdade. Seu Maior defeito? É de não ser rico materialmente. Você acredita que se fosse rico materialmente seria tão livre  o quanto é hoje? A falta de dinheiro  muitas vezes nos causa angustia, isso por não termos condições de realizarmos nosso profetas e desejos. Muito embora de certa forma os bens  espirituais sejam superiores aos materiais. Mário, apesar de ser do meu  conhecimento, nós do Portal "Cá Estamos Nós" e nossos queridos leitores, gostaríamos que você mesmo nos dissemos qual é o seu principal passatempo, isso, somente para confirmar o que dizem por aí, como também termos o prazer de lhe ouvir. Querida Vilma, adoro quando chega a tardinha para me sentar  aqui nesse banco da Praça do Ferreira, para receber meus amigos e amigas da poesia, para mim, não existe nada mais agradável nesse mundo.
         E quando Criança? Bom, eu tive uma infância legal, brinquei muito, todos os tipos de brincadeiras como por exemplo: bola de gude, soltar pipas, tomar  banho de lagoa, brincar com os amigos, foi uma infância legal. Como se auto-define? Eu me auto-defino como uma pessoa alheia, não gosto de trabalhar para não me sentir preso, amarrado, comprometido, portanto, sou totalmente liberto e não  me casei porque queria curtir essa liberdade, também não sou nenhum pilantra! Como vai de amores Mário? Ah! Minha querida Vilma, não estou nada bem, sofri muitas decepções que me angustiaram, torturaram, por isso, prefiro ficar só, já estou um pouco coroa e um velho apaixonado é a pior coisa que tem. Gostaríamos que nos falasse um pouco sobre a cultura em Fortaleza dentro de um período de 30 a 50 anos. Há 30 anos atrás eu estava com 20 anos de idade e posso lhe assegurar que a cultura em Fortaleza era superior a cultura atual, porque a super- população atrapalha a cultura, pois cria  a pobreza, a miséria e o desemprego... então essas pessoas não buscam a cultura preferem as farras as drogas,  a cachaça e não procuram se intelectualizar cultivar as coisas boas da vida, apesar de que  hoje as coisas estão bem mais fáceis , pois naquela´época eu não tinha condições de comprar um caderno e muito menos um livro para o colégio e hoje  o livro que  eu quero  ler,  posso comprar, sem sombra de duvidas que, para quem tem sede de aprender está bem mais fácil culturizar-se.  Mesmo assim, naquela época, com todas as dificuldades as pessoas estavam mais voltadas para a cultura. As pessoas valorizavam bem mais... o mundo cultural. Agora, gostaríamos de saber com foi a questão  editar seu primeiro livro?  Olha eu tive muita sorte em publicar o meu primeiro livro aos 34 anos de idade em 1981, digo sorte porque passei 15 anos tentando publicar e as condições não me permitiam, então participei de um concurso na Casa de Cultura Juvenal Galeno( Academia Municipalista de Letras, fiquei no 1º lugar, ganhei 10.000 cruzeiros, o Carneiro Portela e outros me ajudaram a para que se tornasse possível esse sonho. Meus parabéns Mário pela grande vitória. Qual a caraterística que mais aprecia nos outros? Pessoa polida e elegante. Qual foi seu maior desafio? O nosso entrevistado não perde tempo e responde de pronto: viver sem trabalhar. Realmente esse é um grande desafio, mesmo me considerando uma mulher ousada,  jamais ousaria enfrentar um como esse. Diga-me Mário, você nunca trabalhou de carteira assinada? Ele com um sorriso maroto respondeu: trabalhei durante um ano, mas isso em São Paulo e foi exatamente por isso que aos 29 anos me aposentaram como louco, insanidade mental, doido mesmo. O gênero de filme que daria sua vida? A minha própria vida dá um filme legal com todas as loucuras imaginadas e as não imaginadas. Na sua opinião o  arrependimento mata? Na minha opinião ele mata, apesar de não ser muito fácil, mas na minha opinião leva  lentamente o indivíduo a morte. De que mais se orgulha na sua vida? Ele respondeu-me com a voz firme e grave e com a certeza de quem realmente sabe o que diz. De ser poeta. O personagem que mais admira? Gesse Valadão,  isso põe ele ser irreverente, exatamente como nosso querido entrevistado. Uma imagem do passado que não quer esquecer no futuro? Da surra que levei em Salvador, tudo por ter sido confundido  com um tarado, a minha sorte foi que as vítimas me inocentaram, si não... jamais quero esquecer esse episódio, foi terrível...
         Na sua opinião a cultura será uma botija de oxigênio? Concordo que necessitamos da cultura para respirarmos . Qual o cúmulo da beleza? É um homem ser bonito. E o da fealdade? Alguém tirar a vida de outro. Que vício gostaria de não

ter?  De fumar. Prato preferido? Macarronada. Bebida preferida? Vinho francês bem gelado. As piadas das louras são injustas? Claro que são, não existe essa de loura burra, isso chega até mesmo a ser um maldade. O dia para mim, sempre começa bem, principalmente na hora do café da manhã, adoro aquele pão bem quentinho com manteiga. Que influência tem em você a queda da folha e a chegada do frio? Acho interessante e mexe comigo porque  quando estou sentado aqui na praça e cai uma folhinha em mim, penso que foi um beijo que a natureza me deu. Que livro anda a ler ? Estou lendo "Saga" de  Érico Veríssimo. Se de´repente alguém lhe oferecer flores, isto significa uma prova de carinho. O que significa para você o termo Esoterismo? Quem bem poderia falar sobre isso era Paulo Coelho, mas no meu entendimento esoterismo é uma ciência profunda e todas as pessoas deveriam buscar informações sobre o assunto. Acredita na reencarnação e em e em fantasmas "almas do outro mundo",  entendo como sendo um outro tipo de vida totalmente diferente da terrena, pois somente será possível conhecer após a morte. Quanto ao imaginário ele concorda que seja o sonho da realidade. Considera as histórias fantásticas interessantes. Para Mário Gomes Deus é um espírito, o número um de toda a galáxia, como também um força muito grande perante a humanidade a vida, é enigmático, onde as religiões os astronautas quando viajam pelos espaços, retornam dizendo terem visto Deus,  ficam perplexo. Vilma é muito complexo, não dá para  entender, veja, eu não tenho Deus como pregam por aí, como alguém castiga... se ele realmente existir, já que não foi comprovado, ele nos deixa a vontade para seguirmos o caminho que desejarmos, se assim não fosse, não aconteceriam tantos acidentes, desgraças no mundo. Pode juntar um pequeno trabalho? Claro querida amiga.  Vou ralar um grande momento em que eu conversava com meu espírito:

GRITO DO ESPÍRITO - Mário Gomes

         Sou imortal
         eterno, invulnerável
         sou mais importante e superior ao ouro
         sou mais forte do que o aço, o ferro
         não tenho idade
         sou irmão gêmeo de Deus
         sou dele inferior 
         embora seja sua semelhança
         vivo encarcerado nessa carcaça de carne e osso
         por nome Mário gomes
         um dia me libertaria dando descanso esse pobre coitado que sempre me soube agüentar
         um dia irei embora para o espaço, no infinito, no bailar  com os todos, irmãos encantados
         Mário Gomes me desculpe, mais as vezes você me enraivece
         com sua sede, com sua embriaguez, com sua fome,
         cuidado um dia irei embora e nunca mais me terás seu otário
        

          Gostaria de deixar uma saudação aos nossos leitores e ao Portal "Cá Estamos Nós"? Sim. Porque vocês estão fazendo um trabalho magnifico e merecem todo o carinho e respeito que com certeza devem ter, pois essa é uma iniciativa que poderia  ser imitada por outras pessoas e até mesmo por outros países,isso por ser um trabalho inovador, diferente. Continuem e muito sucesso a todos. 

PAIXÃO DO POETA - Vilma Matos

          Sentimento é sintonia
         Sentimento é sintonia
         Que aguça e envolve
         Despertando alegria
         E leva o poeta
         A escrever poesia
         Carinhosamente,
         As palavras são selecionadas
         E ao serem organizadas
         Formam-se os versos, o poema, a poesia.
         Expressam tristeza ou alegria
         A poesia estava na mente
         Onde harmoniosamente foi armazenada
         Para então surgir com melodia
         E impulsionar o poeta
         A declamar com alegria
         Sem se dar conta
         O poeta crê enamorado
         Não só pelo sexo oposto
         Mas pela inspiração
         Que lhe foi confiado
         Fortaleza, 12/06/02

Novos Escritores:

Nome completo - Leonardo Pinho Aguiar
        

         Temos a honra de apresentar aos nossos amigos (colaboradores do CEN) o  talentoso Leo Barba é um lindo e valioso ensaio de um escritor ainda desconhecido que acaba de entrar  para a nossa grande família , mas que aguardamos no futuro muitos êxitos. Fixem este nome "Leo Barba" a quem endereçamos os nossos parabéns pelo seu excelente desempenho na Ofícina de  Conto e Poesia, que teve como curadores Diogo Fontenelle e a nossa  querida e grande colaboradora do CEN, Nilze Costa e Silva. Vejam meus queridos amigos, esse jovem ousou trocar suas farras e brincadeiras  com amigos, por um amontoado de palavras, passando assim, a "brincar com as letras, as palavras"
        
         Leo - Sabemos que você foi um dos destaques da oficina Vida e Arte, realizado no período de 02 a 13 de setembro de 2002. Portanto, gostaríamos que nos falasse um pouco sobre o evento, e como está se sentindo após  ser reconhecido como um contista de já chegou na oficina pronto? 
          
         Gostaríamos de saber um pouco mais sobre você
          Leonardo Pinho Aguiar,   nasci aqui em Fortaleza -Ce. no dia 09 de junho de 1983, portanto, tenho 19 anos de idade, já conclui o ensino médio e atualmente faço cursinho ( curso preparatório para prestar  vestibular). Escrevi um livro em prosa e estou escrevendo um outro em contos, sendo que , infelizmente, ainda não foi editado nem mesmo o primeiro, espero que futuramente sejam não apenas esses dois, mas outros que estão por vir. Não pratico desporto, mas tenho um esporte que amo de paixão. Poderia nos falar desse esporte? Claro Vilma, trata-se da escrita, adoro escrever poemas, contos e outros. Com quantos anos você começou a desenvolver seu lado poético? Foi exatamente nos meus 15 anos, isso, em plena sala de aula, interessante é que me apaixonei por uma colega e como não quis me declarar, comecei a escrever poemas para ela.  E quanto ao seu estilo? Olha que eu não tenho bem um estilo próprio, pois gosto muito do hibridismo, como também tentar mexer com todos os estilo que vai da comédia ao drama, mas gosto de contos e por isso estou escrevendo um livro híbrido, assim como o grande contista Moreira Campos, tento misturar  estilos, é assim que gosto de apreciar e viajar  nos grandes contos, criado por grandes autores..O meu Primeiro livro, Catecolaminas, é um romance policial, bem influenciado por Rubem Fonseca. O livro de contos que estou escrevendo é um livro híbrido  (ou híbrido o)???
         NOTE - Esse livro foi editado ou você somente o boneco que está pronto para edição? Veja o ano de publicação. Aproveite para falar um pouco mais sobre a obra que esta escrevendo no momento.
         E-mail : leobarba@yahoo.com.br
        
         - Na Internet, quais os sites que mais visita : Comecei a visitar a Grande Biblioteca Virtual e descobri que é o melhor site de literatura em língua portuguesa. Nele encontrei grandes autores, e já fiz o download de várias obras. - Qual o jogo de computador que ainda está por inventar ? : Sim city 2000 e Sim City 3000-
         - Pratica desporto ? __Não__ Qual é o clube do seu coração ? : Sem preferência
         - Costuma ir às compras ? Quase sempre Qual é o produto de primeira necessidade que considera seu custa “os olhos da cara” ? : o quilo de carne.  Leo você costuma almoçar ou jantar freqüentemente em restaurantes ? Sim, em minha casa, gostamos de aproveitar os finais de semanas e feriados para ficarmos juntos .  Em média, quanto gasta por pessoa ? : Na faixa de uns 40 reais. Gastaríamos que nos falasse um pouco mais dos seus trabalhos literários: Escrevo poemas contos e prosa. Tenho um livro em prosa, que se chama catecolaminas e um livro em contos que se chama insólito que ainda está por fazer. Gosto também do gênero crônica, apesar de não ser um cronista.  Nos últimos 30 dias escreveu ? : _Sim______ Que gênero de trabalhos : -Poemas e contos. Diga-nos como esses trabalhos foram divulgados? Através da internet e entre amigos.  Neste ano você pretende publicar algum (ou alguns) livros ? : _Sim ___ Impressos ou Virtuais ?. – Virtuais e espero que sejam inseridos na grande biblioteca do "Cá Estamos Nós", que na minha opinião é uma das mais belas, já visitadas por mim.- Que pensa da Biblioteca Virtual “Cá Estamos Nós” ? : - Vilma, como já falei anteriormente, além de ser lindíssima, vejo também como  uma grande iniciativa que possibilita a exposição de novos escritores, e isso, por preços simbólicos, contudo,   podemos obter informações sobre quase todos os gêneros literários. E o melhor de tudo é que pelo o número de visitas, dá para concluir que os trabalhos são lidos e apreciados  por pessoas de todo o mundo. Vejo como um   avanço para a literatura e para a língua portuguesa.   De zero a dez classifique os itens que presentemente fazem parte do projeto “Cá Estamos Nós” : -- Portal : __10__ Magazine : - __10__ Divulgação : - __06__ Toque Literário : - __10__ Pura Poesia : - __10__ Leitura crítica a livros dos membros do CEN : - __07__ Grande Entrevista : - __09__ Entrevista gênero “radiofônica” : - __08__ Visita à Família ... : - __09__ Outros (Quais ?) : - ____
         Gostaria que um amigo (a) fizesse parte da Grande Família “Cá Estamos Nós” : - Camila Carmo Dos Santos milamaharish@ig.com.br 
        
         Quer falar um pouco do local onde mora ? : Resido em Fortaleza,  desde que nasci, sou um grande admirador desta terra de gente hospitaleirae e de grandes escritores, como é do conhecimento de todos, um dos maiores contadores da história da literatura nasceu aqui no Ceará, o grande Moreira Campos. Fortaleza tem  belas praias e seu clima é tropical, mexendo assim,  com a sesíbilidade dos escritores cearenses. Daí o verdadeiro motivo dessa cidade  ter tantos escritores que escrevem guiados pelo sol . -
         E-mail : leobarba@yahoo.com.br
        

COMPUTADOR - Leonardo Pinho Aguiar

Anteriormente tinha sido citada a palavra “desespero”, eu estava imersa na fumaça de meu cigarro o bastante para estar na conversa, mas nessa hora me voltei para eles dois, senti vontade naquela hora de escrever, mas não tinha papel, muito menos computador, eu infelizmente tenho esse pecado, só escrevo de computador. Mas a palavra “desespero” me chamou a atenção para o sentimento que nutria naquele momento, não que eu estivesse desesperada, mas olhar para eles e não saber se eles existiam realmente, me deixava muito mal. O fato de olhar para si, e sentir só o si próprio foi motivo de questionamento para mim mesma, porque que ninguém escreve sobre isso? Será que só eu penso isso? Fiquei um pouco angustiada, e estava chegando próxima do desespero. Ele olhava-me e dava um gole na sua cerveja, um trago no cigarro, e sorria seu sorriso amarelo, eram tantas pessoas, naquela mesa , tantos sons, tantas palavras, tantos risos, e eu só sentia-me eu, em toda a amplitude do ser, em toda minha singularidade existencial. O campo de audição se expandiu, o campo de visão era imenso, todas aquelas luzes, aqueles sons, aquelas vitrines azuis que vomitavam cores neon, tudo isso me assustava. Olhava o asfalto remendado, olhava os besouros nos postes, ele continuava a me olhar placidamente, como quem não espera, como que não doa, e ele era o meu tudo na minha visão turva naquele momento. Mais pessoas chegaram, chegaram mais chopes na mesa, e eu sentia a cada gole que ia ficando cada vez mais presa àquilo que fazia. O sorriso muitas vezes forçado, sem motivo para rir, do que eles riam, eu não sabia, mas ria também, ria porque sentia a vida, ria porque era mulher, era livre, eu simplesmente ria. As conversas eram amplas, e eu sempre parava para ouvi-La, um falava de política, outro falava de futebol, e eu sentia-me cada vez mais mínima dentro das sombras das palavras, ele continuava a me olhar sorrateiramente, mas eu me mantinha calada, o desespero voltara a bater. Senti-me cada vez mais singular, não sabia o que falar, só sentia eu, eu e mais eu, apenas o leve sopro da existência, estar, ser, como senti vontade de escrever, escrever sobre eles, eles eram eles, não eram eu, e isso nunca aconteceria, você entende? Entende como é desesperador saber que eles nunca vão ser eu, e mesmo assim eu falo com eles, como se o que eu falasse fosse entrar ao ouvido deles, eu embaralhava-me cada vez mais com minhas palavras, estava confusa o bastante para perceber que ele agora se colocara ao meu lado, e que a fumaça do seu cigarro encontrou os meus cabelos.
         Simples a razão de meu pensamento, eu estava confusa, pois esquecera de tomar meu medicamento naquela noite, a cerveja já tinha me deixado tonta e no âmago do meu silêncio as pessoas interrogavam-me se aquilo era tristeza, mas não era, estava em conflito comigo mesma, e apenas com vontade de escrever.
         “ Oi, me chamo Roberto do Banco Safra, você é...” Alguns segundos fitei seus olhos e senti o quão gigante era a existência.
         “ Me chamo Solange.” Meu nome quase não saiu direito, mas ele apenas voltou a falar, e a cada palavra que ele falava sentia que seus lábios mexiam num movimento sensual, mas eu não tinha cabeça para pensar naquilo naquele momento, eu estava bem confusa para saber ao certo o que fazia, será que ele se questionava sobre a imensidão da existência, não, acho que não. Eu era uma mulher de meia idade, e lutava com minha velha cabeça, precisava escrever.
         “Você tem computador em casa?”
         Ele sorriu meio sem jeito, e piscou o olho...
         “ Tenho sim...” Saímos do bar , sobre olhares dos curiosos, mas eu precisava escrever, e quando chegamos lá, ele foi bem gentil, me tratou bem, e deixou-me servir do computador, o qual passei horas teclando sobre o minha visão do que tinha sido àquela noite. Saciado o meu desejo, saciei o desejo do macho. E a vida enfim me deixou repousar sobre um colchão de veludo.
         (Barba Pinho)
         SAUDAÇÃO
         É com todo o prazer que deixo uma grande saudação a todos os escritores da família "Cá estamos Nós". Eu espero que todos os escritores continuem com a fertilidade que lhes é característica para a produção de novas obras da literatura portuguesa.

PRIMEIRA NOITE DE CARNAVAL  - Vilma Matos 

          O carnaval sempre me pareceu uma festa para gente atrapalhada, mas de repente senti vontade de vivenciar um pouca dessa brincadeira que mais parecia com uma grande palhaçada.
         Mandei confeccionar um topizinho e uma  quase saia, ambos de cor vermelha e com alguns detalhes, para assim, dar o realce,  principalmente  na parte de baixo que nem de longe parecia ser uma  saia, feita de tecido  fino, transparente e o pior de tudo é que a danada nunca ficou  fora de moda  e mesmo depois do carnaval,  ela é sempre usada.
         Os homens apreciavam e apreciam, pois gostam de ver pernas, embora não sejam grossas e bem torneadas.
          Desde que me entendi por gente este modelito  é conhecido com o nome de mini-saia,  são quase sempre muito curtas e não cobrem quase nada.
          Minha mãe por sua  vez, olhava-me como quem estava encantada, pois me admirava como se eu fosso  uma verdadeira obra de arte, enquanto isso, eu morrendo  de medo e também envergonhada,  acreditava que depois de concluir suas observações fosse puxar as minhas orelhas  e  em seguida, dar-me umas boas palmadas.
          Passado alguns instantes ela decidiu falar: vai filha querida e procure se divertir de forma ajuizada  e se por a caso conhecer um homem interessante,  pode fazer com ele, amizade! Quem sabe se um dia ele será seu namorado!
         Tenhas muito cuidado, pois tu estás tão linda que por alguns momentos cheguei a ficar impressionada, até então, não havia percebido o quanto és linda e  bela, somente agora foi que  entendi que a menina cedeu lugar para uma belíssima mulher,  dotada de  curvas,  formas, encantos... só espero que tenhas juízo e não  esqueça que  depois das quatro noites, os príncipes costumam virar sapos e ainda  tem aqueles que  passam o ano inteiro guardando o seu suado dinheiro para esbanjarem, se mostrarem  de forma descontrolada, chegando a  gastarem tudo que juntaram durante um ano,  em apenas quatro noites de carnaval.
         Estes não lhe servem!!
         Veja o que aconteceu com a filha do compadre Zé, que no ano passado foi a um baile desses e voltou acabrunhada ... hoje está dividindo seu quarto com um caboclo que não tem onde cair morto. Portanto, só  lhe peço que seja esperta ao ponto de  não se deixe enganar, por cantada ou conversa de homens vadios que só pensam em transar, esse mundo está realmente perdido. Vê se não dá mole! Apenas procure se divertir e não se deixe levar!
         Cheguei ao clube como quem nada queria e no primeiros momentos fiquei quieta apenas a sondar, esse ambiente é meio esquisito, mas já que estou aqui é o jeito ficar. Então pensei, mas como me adequar a essa  gente que mais parece  um bando de delinqüentes?
         Ah! Sinceramente para mim não dá.
         Algumas criaturas passavam e me diziam sempre algumas piadas, ficava vermelha, mas não dizia nada.
         Sentia-me só e amedrontada.
         Observei que estava vindo em minha direção um carinha, seus modos eram estranhos e esquisitos e antes de se aproximar, já foi logo me tomando pelo braço e me arrastando  para o salão, seu comportamento me assustou...  e esta criatura sem nenhum escrúpulo,  vestia-se de inseto,  mosca, senti-me  logo enojada com aquela figura horrorosa que, além de ser feio era um grande desavergonhado que a todo instante insistia em me puxar para junto de seu corpo suado, sua intenção era me dar um grande amasso.
         Gritei por socorro, mas ninguém me escutava, pois o barulho era infernal, foi quando surgiu quase que por encanto  um jovem bonito e forte fantasiado de zorro, deu um soco no atrevido  e me puxou para o seu peito, dizendo fique tranqüila boneca que ninguém ira te fazer mal, estou aqui,  vou te proteger por todas as nossas vidas. Basta que teu pai, conceda-me esse direito. 

EVENTOS :  

          A conhecida coordenadora do CEN no estado do Ceará, a querida contista Nilze Costa e Silva, inaugurou no mês de setembro o  espaço cultura “Arco Íris ”, onde a mulher tem lugar destacadíssimo. Com o auditório repleto do elemento feminino e mais alguns masculinos, isso, para embelezar ainda mais o ambiente. Nilze fez a sua palestra de abertura com o tema subordinado “ Poemas Violados", tendo a presença marcante da cantora Aline Costa e sua guitarra, em seguida Nilze passou a palavra a nossa poeta e editora do "Fortaleza em Notícias"  Vilma Matos, ocasião esta em que declamou um poema de sua autoria intitulado  "NAVE", o referido poema foi colado  no painel "Espaço do Poeta" juntamente com outros trabalhos de autores renomados.

Durante toda o evento os poetas ali presentes tiveram a oportunidade de apresentarem seus trabalhos. Vejam, este é o famoso espaço cultural, onde todos terão  sua vez.

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NOTÍCIAS ...       

          A NAVE ontem dia 09 de setembro de 2002, teve o imenso prazer receber entre o seu corpo de associados/as a adesão da poeta cearense Vilma Matos, que aceitou o convite insistente da diretoria. Com a presença de Vilma, a NAVE sem dúvida alçará ovos vôos. Estamos preparando a nossa participação na Bienal do Livro, um evento nacional, que se realizará em outubro no Centro de Convenções. Durante o evento faremos uma apresentação do projeto "Poemas Violados - um poema, uma canção". Dez poetas estarão se apresentando, inclusive a Vilma Matos, nossa nova componente.
         O que é a NAVE ?...
         NAVE - Núcleo de Ação e Valorização da Espécie Humana
         A NAVE é uma organização civil sem fins lucrativos. Foi fundada em 1998 e tem atualmente em sua direção: Nilze Costa e Silva - presidenta; Cristiane Marinho - vice-presidenta; socorro Lopes, tesoureira, Maria Aurineide Martins, secretária geral.
         A diretoria e demais associadas/os são profissionais da área de psicologia, administração, filosofia, serviço social, pedagogia e outras.
         Endereço: Rua Silva Paulet, 3293, Bloco C, sala 8 - shopping Delta, Bairro Dionísio Torres, Fortaleza-Ceará - CEP 60.120.012; Fone (085) 257.8448.
         A NAVE tem como missão desenvolver ações de valorização humana na busca da eqüidade de gênero, raça e etnia.
         ATUAÇÃO: Trabalha com valores e comportamentos relacionados às relações sociais de gênero, saúde e sexualidade, direitos humanos e prevenção à violência doméstica.
         AÇÕES: Desenvolve ações educativas que possibilitam atitudes positivas de auto-estima, fortalecimento da condição feminina e o resgate d valor social, individual e político da infância e adolescência; Aprofunda estudos, conhecimentos e metodologias acerca da sexualidade humana, relações de gênero saúde e cidadania; Contribui com a cultura local, promovendo eventos como lançamentos de livro e outros, relacionados às manifestações artísticas do nosso povo.
         LINHAS DE INTERVENÇÃO: Desenvolve de forma permanente oficinas, cursos, seminários, palestras e debates e promoção de eventos culturais.
         ARTICULAÇÕES E PARCERIAS: Secretaria de Saúde do Estado; Comissão de Direitos Humanos da Assembléia Legislativa; Correios e Telégrafos, FUNCET
         Participa dos seguintes fóruns:
         1.        Fórum de ONGs/AIDS
         2. Fórum de Mulheres Cearenses (coordenação)<

br>          3. Fórum de Combate à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes.
         4. Fórum de Combate a Trabalho Infantil
         5. Observatório do Judiciário
         6. Fórum Cearense de Direitos Humanos (Assembléia Legislativa)
         Participou do Fórum Social Mundial em 2001 e 2002
         Participou da Conferência Nacional de Mulheres Brasileiras, 6 e 7/06/2002
         TRABALHOS REALIZADOS:
         - Oficinas de sexualidade e gênero para adolescentes - Vilas Olímpicas, em parceria com a Secretaria de Saúde do Estado (1998)
         - Oficinas de sexualidade e gênero para adolescentes - Projeto Comunidade Solidária (1999)
         - Programa de capacitação para o Desenvolvimento Local, parceria com o CETRA (2000)
         - Oficina de sexualidade e auto-estima para mulheres na maturidade - auto-financiado (Espaço Ânima), 2000
         - Oficinas de gênero e DST/AIDS para lidernaças do GACC ( Grupo de Apoio às Comunidades Carentes (2001)
         Projeto Poemas Violados, no Mesa de Bar e Estoril - 2001/2002
         Oficina de Sexualidade e Gênero para o GACC ( Grupo de Apoio às Comunidades Carentes) de 20 a 24/05/2002.
         - Participação em congressos, conferências; debates e palestras em escolas e universidades
         RESULTADOS ALCANÇADOS: aumento do nível de conhecimento e responsabilidade dos/das participantes.
         FONTES DE RECURSO: contribuição dos/as sócios/as, cursos auto-financiados, pagamento dos investimentos das oficinas pelas instituições parceiras citadas.

ESSA RUA TEM HISTÓRIA ...  -   Nilze Costa e Silva - escritora

          Do Centro Cultural Dragão do Mar, olho a rua que se estende, não muito longe. Mas o que houve com ela, encurtou? Ou encurtaram meus passos, quiçá minha visão de adulta? Nos meus tempos de menina esta rua era imensa. Pois por ela meninei, logo que cheguei da minha cidade Natal - RGN,  com 1 aninho de idade. Aos treze anos me fui, olhos molhados, rumo ao desconhecido. A parte boa da minha vida e o maior espaço de tempo também, devo dizer que vivi na casa de número 440, da Rua Dragão do Mar. Foi esta a rua que me viu ensaiar, em câmara lenta, os primeiros passos trôpegos e já incertos.  E acalentou os indecisos sonhos de uma adolescente insegura e tomada por paixões fáceis, até pela rua. Lá  minha alma terrena conheceu o primeiro amor, nunca retribuído.  Também foi ali que derramei a primeira lágrima ao ouvir no rádio antigo de meu pai uma canção do Vinícius falando só de saudades e tristeza de partir: "Ah, vontade de ficar, mas tendo que ir embora/ Ai, que amar é se ir morrendo, pela vida afora/é refletir na lágrima o momento breve/ de uma estrela pura cuja luz morreu/ de uma noite escura, triste como eu."

          Olho a Praça dos Aviões, hoje tão festiva e iluminada e lembro que lá meu pai - o boêmio Ten. Adauto nos levava, a mim e aos irmãos, nas tardes de domingo, a passear de velocípede. Naquele tempo a Rua Dragão do Mar era marcada por um apartheid, que eu não entendia muito bem. No primeiro quarteirão, a partir da Capitania dos Portos, havia uma zona de prostituição, onde reinava a famosa Maria Cabelão e os homossexuais Elvis Presley e Zé Tatá. Esta zona era proibida para as crianças e adolescentes e, se tínhamos mesmo que passar por lá, deveríamos descer a calçada, pois era até pecado olhar as casas, os adultos diziam. O próximo quarteirão até a travessa Itapipoca, principalmente a calçada da Fábrica Jonhson, era toda da meninada, para os jogos de bila, arraia, manjô e macaca (essas brincadeiras hoje possuem outros nomes que me recuso a traduzir por saudade e despeito). A partir daí, a rua subia  num morro de areia. De um lado um pântano e um córrego, onde as lavadeiras lavavam as roupas dos que ficavam embaixo, na parte calçada. Do outro lado um terreno murado, onde nos deparávamos com inscrições obscenas e desenhos pornográficos. No inverno, as águas da chuvas desciam vertiginosamente ladeira abaixo, indo desembocar num esgoto - era a nossa cachoeira em miniatura. O melhor programa da época: tomar banho de chuva e observar os caracóis indolentes na sua caminhada interminável e os peixinhos  ágeis, que nos escapavam das mãos. Era ali que deixávamos sem rumo os barquinhos de papel que a correnteza levava.

          Rua Dragão do Mar, túnel do tempo. Viajo nas lembranças e na dolorosa certeza de que não se pode preservar ao menos o cenário dos tempos bons da infância. Novas cenas e novos personagens invadiram a minha vida. Mas quando durmo e sonho, nem Freud explica  o porquê de, na maioria das vezes, estarem lá, todos na casa grande onde hoje cabe bem mais gente -  como se eu nunca tivesse me apartado de Iracema.

Chama - Claude


        
Um suspiro nos chama
         Traduzindo o silêncio
         De tanto tempo...
         Tempos diferentes
         Mascarando a face
         De personagens bisonhos...
        
         Estranha essa voz
         Impacto fulminante
         Compondo a sinfonia
         De nossa vida...
         Animo, rumo
         Estrada, vértice
         Para onde seguimos
         Perdidos, errantes...
        
         Pensamento ausente
         Dialogamos com o universo
         Expondo este detalhe sensível
         De nossa saudade.
         Tempos diferentes...
         Mesclando o fantástico
         Aos nossos sonhos.
         Existência encantada
         Descobertas,  magia...
        
         Um suspiro que chama
         Uma chama que arde
         Palavra que surge
         Perdendo-se em sua complexidade.

"os grandes homens são muitas vezes solitários. essa mesma solidão, entretanto, faz parte da sua capacidade de criar. O carácter, como a fotografia, revela-se no escuro" (YOUSUF KARSH).

          Queridos Leitores, espero pela vossa opinião e crítica a este meu trabalho que, gostosamente, fiz para vocês !

Um beijo no vosso coração,

Maria Vilma Matos Peixoto

A AUTORA ÁLBUM DE FOTOS BIBLIOTECA SALA DE LEITURA SALA DE VISITAS